Schopenhauer: A metafísica da vontade como ponto de partida para a ética animal

Postado por: PPgFil
Anny Sanches Corrêa Rezende

Currículo Lattes

E-mailanny.as67@gmail.com 

Orientador(a): Prof. Dr. Amir Abdala 

  • Qual pergunta a pesquisa responde? 

A pesquisa busca responder, fundamentalmente: Como a metafísica da vontade de Schopenhauer pode fundamentar uma ética que inclua os animais como sujeitos de consideração moral direta?

  • Por que isso é relevante?

A relevância do trabalho reside em três pontos principais: a superação do antropocentrismo, ao criticar as limitações das éticas baseadas apenas na racionalidade abstrata, que historicamente negligenciaram o sofrimento não humano; a coerência biológica e metafísica, pois propõe um fundamento ético que se alinha à realidade biológica de que seres humanos e animais compartilham a capacidade de sentir dor e possuem uma vontade de vida análoga; e a ampliação da esfera moral, visto que, ao fundamentar a moralidade na compaixão (Mitleid) e na unidade essencial da vida, o trabalho oferece uma base sólida para a defesa dos direitos ou do bem-estar animal, indo além de uma visão puramente instrumental.

  • Resumo da pesquisa: 

O trabalho investiga a transição entre a análise do mundo como representação e como vontade na obra de Arthur Schopenhauer para construir uma ética animal. A pesquisa defende que o corpo é o ponto de acesso à “coisa em si” (a Vontade), revelando que todos os seres vivos são manifestações dessa mesma força unificadora. Ao romper com o “Véu de Maia” (a ilusão da individualidade), o sujeito percebe a unidade essencial entre as espécies (Tat tvam asi — “isso és tu”). Dessa forma, a ética deixa de ser baseada em regras racionais e passa a fundamentar-se na compaixão, onde o critério moral central é a minimização do sofrimento e o reconhecimento da dor alheia como própria.

  • Quem deveria conhecer os resultados da pesquisa?

Os resultados são de interesse para diversos públicos: acadêmicos de filosofia e ética interessados em Schopenhauer, metafísica, filosofia da mente e oposição ao racionalismo kantiano; estudiosos de bioética e direito animal, que são profissionais que buscam fundamentação teórica sólida para políticas de proteção animal e direitos da natureza; ativistas da causa animal, sendo pessoas que buscam uma base filosófica que justifique o dever moral direto para com os animais, para além do utilitarismo ou do sentimentalismo; e o público interessado em espiritualidade e filosofia oriental, devido à conexão que o trabalho faz entre a filosofia ocidental e conceitos como o Tat tvam asi e o fim da ilusão da individualidade.