A redução de Platão a Sócrates em O Anticristo de Nietzsche

Postado por: PPgFil
Davi Molina Mendes

Currículo Lattes

E-mail: davimolinam@gmail.com

Orientador(a): Prof. Dr. Andre Koutchin

  • Qual pergunta a pesquisa responde? 

Por que Nietzsche, em O Anticristo, ainda que criticando a tradição filosófica ocidental, a valida, na medida em que reduz Platão e Sócrates a uma mesma figura teórica?

  • Por que isso é relevante?

Porque investiga o paradoxo hermenêutico em O Anticristo: enquanto Nietzsche isola a figura histórica de Jesus da interpretação paulina, ele ratifica a simbiose entre Sócrates e Platão. Essa análise revela como o filósofo, mesmo combatendo a tradição, a adere operando sob a lógica da “autoridade do autor”, perspectiva fundamental à construção da subjetividade ocidental que elabora a figura do indivíduo em uma unidade de propriedade e domínio representativo.

  • Resumo da pesquisa: 

A pesquisa busca analisar uma aparente contradição no método de Nietzsche em sua obra O Anticristo (1888). Nietzsche se estabeleceu como um dos críticos mais contundentes da moralidade e das estruturas de poder do Ocidente, às quais rastreava, inclusive, em suas raízes metafísicas judaico-cristãs. O ponto de partida da nossa investigação se baseia na metodologia imanentista desenvolvida por Hector Benoit (2015), cuja aplicação aponta para uma estratégia de redução narrativa que consolida a propriedade e autoridade individuais no Ocidente, seja no campo da religião, ou, como em nosso caso, da filosofia. A questão que nos move é examinar se o próprio método crítico de Nietzsche, que visava a superação da tradição filosófica ocidental, falhou em sua aplicação à filosofia grega, reforçando a tradicional aglutinação da diversidade discursiva dos Diálogos na figura monolítica de Platão. Argumentamos que, embora Nietzsche, no campo religioso, realize uma separação metodológica rigorosa e necessária entre a mensagem imanente de Jesus e a invenção teológica de Paulo, ele falha ao aplicar o mesmo critério à filosofia grega. Paradoxalmente, ao criticar a tradição filosófica ocidental, Nietzsche perpetua a redução da vasta e multifacetada filosofia platônica, dos diversos personagens ali contidos (dos quais Sócrates, certamente, é um protagonista) à figura isolada de Platão que, sob esse aspecto, torna-se a autoridade filosófica individual e proprietária exclusiva de um discurso.

  • Quem deveria conhecer os resultados da pesquisa?

Interessa a pesquisadores de filosofia e leitores de teologia, com especial impacto nos estudiosos da Antiguidade. Adicionalmente, interessa a todos aqueles que se debruçam sobre os estudos dos métodos de leitura e interpretação filosóficos, contribuindo para os interessados na desconstrução da individualidade e na crítica da autoridade narrativa que consolidam a tradição interpretativa ocidental.

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